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O MURO

2026

Um muro é uma estrutura sólida destinada a separar ou proteger um espaço. Obra de alvenaria, adobe, pedra, taipa, metal, tijolos são construídas para sustentar suas estruturas (funções) essenciais: separação e proteção. Mecanismo presente desde o início da história das cidades, é seguro dizer que muros foram erguidos para separar algo e/ou proteger alguém; e vice-versa.


A artista Tatiana Ferraz apresenta na Casa do Olhar a exposição “O muro”. Não um muro qualquer, ou uma alusão a seu exercício metafórico na linguagem, mas o muro, com artigo definido, aquele que se engendrou quando da emergência da pandemia do coronavírus: um muro entre o público e o privado, o íntimo e o coletivo, entre a ameaça de um fora contaminado e a proteção de um dentro asséptico, entre o virtual onipotente e um real de incertezas insuportáveis; entre si e os vários sequestros de si mesmo (desejo, memória, pulsão, inconsciente, subjetividade). O muro que a investigação estética da artista nos propõe refletir enquanto fruímos a exposição não separa dois foras, ou um fora de um dentro, mas “dentros” – uma espécie de trama íntima-coletiva – arremessados num “cotidiano atolado”, como sugere Ferraz.


Os materiais elencados para construir essas estruturas são frágeis: cerâmica e porcelana; quebram ao toque bruto. Os tijolos não são cimentados, são amarrados no equilíbrio instável da areia; frágil ao vento. O muro, de Tatiana Ferraz, nos oferece vivenciar uma situação-limite do corpo a partir de sua vulnerabilidade e força contra a vulnerabilidade e força dos objetos que ali enfrentamos. O muro se apresenta como orientação político-subjetiva em direção à porosidade dos afetos

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